RESUMOS



BULLYING E A SOCIOLOGIA DO DESVIO

Katarina Pereira dos Reis
PPGEB – CAP/UERJ
Telma Antunes Dantas Ferreira/
PPGEB – CAP/UERJ
José Antonio Vianna
PPGEB – CAP/UERJ

A violência penetrou os muros da escola durante o processo de sua democratização (SPOSITO, 2001) e abrange uma infinidade de manifestações antissociais, dentre elas: o bullying (SEIXAS, 2015). Este ensaio de revisão bibliográfica reflete acerca das pesquisas recentes sobre o bullying à luz da sociologia do desvio. O bullying é caracterizado como comportamento agressivo, inoportuno, intencional e repetitivo, praticados por um ou mais indivíduos contra um par. Pode se manifestar de forma verbal ou física, sem motivação aparente, causando angústia, dor, discriminação, exclusão e humilhação (MALTA et al, 2010; LOPES; SAAVEDRA, 2004; VIANNA; SOUZA; REIS, 2013). Assim, é considerado, atualmente, como uma epidemia, e investigado em diversas áreas do conhecimento (MALTA et al, 2010; LOPES; SAAVEDRA, 2004; VIANNA; SOUZA; REIS, 2015), apesar de 7,4% dos estudantes brasileiros, destes 8,3% na região sudeste, afirmarem sofrer bullying (PENSE, 2015). Dessa forma, observamos um aumento expressivo da exposição de casos na mídia e da busca em controlar esse fenômeno através da criação de leis (inclusive em âmbito nacional - LEI N. 13.185 de 06/09/15, que institui o Programa de Combate ao Bullying). A sociologia do desvio (BECKER, 2008) considera que um desvio acontece quando existe uma normatização sobre determinado comportamento, que pode gerar leis, judicializando a relação do que é considerado “socialmente aceitável”, tipificando o comportamento desviante. Esse comportamento é determinado pelos empreendedores morais e está impregnado da intencionalidade pelo domínio e disputa do poder. Logo, esse empreendimento não pode ser considerado neutro. Becker (2008) reconhece que o desvio é criado pelas reações a certos tipos de comportamentos, pela rotulação do comportamento desviante, que podem não serem universalmente aceitas, tornando-se objetos de conflitos. Assim, a pesquisa nos aponta que, possivelmente, ao legislar sobre o bullying, categorizamos publicamente jovens e crianças, em formação, criminalizando ou patologizando o desviante, gerando um efeito excludente e não transformador e reintegrador, como se espera. Nos casos de bullying a rotulação acontece em relação aos praticantes e vítimas que podem não encontrar forças para saírem dos papéis estabelecidos para eles. Portanto, é fundamental para ocupar essa lacuna no conhecimento, verificar a percepção dos praticantes de bullying escolar.
Palavras-chave: Violência escolar - Bullying – Sociologia do Desvio.
http://www.cap.uerj.br/site/images/stories/noticias/xsesc/livro-e-resumos.pdf




BULLYING: UMA PERSPECTIVA DE ESTUDO

Telma Antunes Dantas Ferreira
PPGEB-UERJ
JOSE ANTONIO VIANNA
UERJ
Katarina Pereira dos Reis
PPGEB-UERJ

Este ensaio se propõe a analisar o fenômeno bullying no ambiente escolar. O bullying é uma palavra de origem inglesa, utilizada para nomear uma atitude consciente e intencional de maltratar um indivíduo (FANTE, 2011). O bullying se caracteriza por atitudes agressivas, de caráter repetitivo e marcado pelo desequilíbrio de poder realizado por um ou mais indivíduos contra outro(s) levando a consequências prejudiciais à saúde física, mental e social dos indivíduos. Com o intuito de prevenir e combater o bullying, foi sancionada a Lei n. 13.185, de 06.11.2015 que instituiu o programa de combate a intimidação sistemática (bullying) em todo o território nacional. No mesmo ano, uma pesquisa nacional (PENSE) entre escolares, avaliou que a frequência das atitudes de bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa. Os resultados demonstraram que mais da metade dos alunos nunca sofreram este tipo de violência e apenas 7,4% dos escolares brasileiros afirmaram sofrer frequentemente. A Região Sudeste apresentou o maior percentual (8,3%) de escolares que declararam sofrer constrangimento ou humilhaca̧ ̃o na maior parte do tempo ou sempre. O que nos faz repensar a ocorrência do fenômeno. Por se caracterizar por um comportamento desviante, determinado por Becker (2008) como sendo aquele que viola uma determinada regra previamente aceita, o praticante do bullying é rotulado por tal comportamento. A rotulação é produto dos empreendedores morais que são os responsáveis pela criação e imposição das regras. Como a maioria das pesquisas sobre bullying tem como foco principal a patologização do fenômeno, acabam negando ou dando pouca ênfase a percepção dos atores envolvidos no processo, os agressores e os empreendedores morais, que podem apresentar valores distintos entre si. Mais pesquisas são necessárias para ampliar e aprofundar a compreensão deste fenômeno. Assim, verificar as percepções dos professores enquanto empreendedores morais, responsáveis pela imposição e cumprimento das regras na escola, principalmente no que se refere à lei de combate a intimidação sistemática (bullying) pode contribuir para ocupar esta lacuna.
Palavras-chave: Bullying - Violência escolar - Professores.http://www.cap.uerj.br/site/images/stories/noticias/xsesc/livro-e-resumos.pdf



ORIENTAÇÃO ESPACIAL DE ALUNOS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

José Antonio Vianna
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Matheus Ramos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Fernanda Carvalho Nenartavis
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Em decorrência da escassez de espaços apropriados a prática de atividades físicas e lúdicas, o desenvolvimento motor de crianças pode não ocorrer em harmonia com o processo natural de maturação. Na literatura há evidências de que um desenvolvimento motor mal estabelecido nos primeiros anos escolares pode contribuir ativamente para dificuldades de aprendizagem escolar. Diante disso, torna-se importante realizar a verificação do desempenho motor de alunos matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental, para que assim seja possível subsidiar programas de intervenção que busquem auxiliar o desenvolvimento de alunos e minimizar possíveis dificuldades de aprendizagem escolar. O estudo proposto tem como objetivo verificar a orientação espacial direita-esquerda (OE) de alunos matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental de três grupos distintos. Foram avaliados 173 alunos em escolas no Rio de Janeiro, na faixa etária entre 7 a 12 anos, discentes no primeiro segmento do ensino fundamental (3o ao 5o ano): 34 alunos matriculados em uma escola municipal situada no interior de uma favela (EM); 118 alunos matriculados em uma escola pública de excelência (EPE) que recebe crianças e jovens de diferentes bairros; e 21 alunos matriculados em uma escola particular localizada num bairro de classe média (EP).Para a avaliação da orientação espacial, optou-se pela aplicação do teste Piaget- Head, seguindo as orientações realizadas no estudo de Lucena et al (2010) e Vianna et al (2016). Ao comparar a média da idade motora na orientação espacial direita-esquerda (OE) com a média de idade cronológica (IC) dos grupos, pode-se verificar que em ambos os grupos investigados a idade motora foi inferior à idade cronológica. No grupo EM a média na OE registrada foi 7,7 anos enquanto a IC média foi 8,4 anos. O grupo EPE também apresentou defasagem na OE em relação à IC (IC = 10,7 anos e OE = 7,2 anos). Apesar de ter registrado escores mais altos na OE o grupo EP também obteve IC (9,4 anos) incompatível com a OE esperada (OE = 8,8 anos). Os resultados sugerem que o descompasso entre a idade cronológica e a idade motora na orientação espacial direita- esquerda não é uma exclusividade de indivíduos das classes mais favorecidas. Ao que tudo indica as transformações sociais nas grandes metrópoles tem afetado de diferentes formas os modos de vida de crianças e jovens, com impacto negativo no seu desempenho motor.
Palavras-chave: -Lateralidade- Orientação espacial- Desempenho motor.
http://www.cap.uerj.br/site/images/stories/noticias/xsesc/livro-e-resumos.pdf

ORIENTAÇÃO POR OBJETIVOS DE PRATICANTES DE ESPORTES COLETIVOS, KARATE E BALÉ

Fernanda de Carvalho Nenartavis
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - IEFD
José Antonio Vianna
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PPGEB CAUERJ

A teoria de orientação por objetivos de vida sugere que os indivíduos agem conforme a percepção subjetiva de sucesso ou fracasso nas atividades, sejam elas escolares ou esportivas. Os sujeitos orientados pela tarefa são pautados no autorreferenciamento, na persistência e busca da maestria, enquanto os indivíduos com a orientação ego no referenciamento externo, e na utilização de meios ilícitos para alcançar os objetivos. Os efeitos deletérios da orientação ego podem ser observados em qualquer ambiente de aprendizagem em que o sujeito está inserido. Dentro do esporte, da dança e da luta, a motivação é responsável por guiar o praticante na busca por seus objetivos. O clima motivacional do ambiente de aprendizagem tem influência na orientação adotada, e esta, por sua vez, influencia no padrão comportamental do sujeito. Por conta dessa relação, identificar a orientação por objetivos permite a adoção de práticas pedagógicas mais adequadas. O objetivo do trabalho foi verificar a orientação por objetivos de jovens escolares praticantes de esportes coletivos, praticantes de karatê e praticantes de balé clássico que participam de competições. Utlizou-se para coleta de dados o questionário Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire (TEOSQ) que é composto por 13 questões que medem duas subescalas ortogonais - ego e tarefa. Responderam o questionário 59 praticantes de esportes coletivos (M = 11,9 anos de idade), 76 de karate (M = 15,1 anos) e 24 de balé clássico (M = 15,7 anos). Observou-se a predominância na orientação tarefa nos três grupos, acompanhando a tendência brasileira. O grupo dos esportes coletivos obteve média 3,2 na subescala ego e M = 4,4 para a subescala tarefa; o grupo do karate obteve M = 2,7 para a subescala ego e na subescala tarefa M = 4,5; o grupo do balé obteve uma média de 3,2 na subescala ego e M = 4,6 na subescala tarefa. Os indivíduos praticantes de balé e os praticantes de esportes coletivos apresentaram uma pontuação acima da linha de corte para a subescala ego, o que pode indicar uma ambivalência ego e tarefa nesses grupos.
Palavras-chaveOrientação por objetivos – Alunos – Atividades físicas.
http://www.cap.uerj.br/site/images/stories/noticias/xsesc/livro-e-resumos.pdf

O USO DO APLICATIVO GRATUITO SOBRE BULLYING

Ms. Telma Antunes Dantas Ferreira Dr. José Antônio Vianna

Visando acompanhar a velocidade de informação que nos acomete na atualidade, desenvolvemos um aplicativo móvel (app) para smartphones, de instalação gratuita sobre a temática bullying. Um dos objetivos deste produto foi o compartilhamento de informações de forma rápida e acessível para toda a comunidade escolar e, ao mesmo tempo, a possibilidade de compreensão e discussão de questões relacionadas ao bullying, sob uma nova perspectiva. Confirmando dados da revista Exame (2016), sobre o uso do celular no Brasil, segundo a qual, o uso de aplicativos segue a média de 15 instalaç es por celular, o aplicativo desenvolvido obteve um bom resultado na avaliação de instalações, no período de 1 ano e 8 meses, contados desde o inicio da divulgação do produto em 23 de marco de 2018 até o dia 23 de novembro de 2019. Ao todo, foram 783 downloads, instalados gratuitamente através do link https://app.igenapps.com/1857452. Uma média de 39 downloads por mês e 1,3 downloads por dia. O objetivo do produto desenvolvido no programa de pós-graduação da Educação Básica (Ppgeb-Uerj) foi alcançado e o aplicativo encontra-se ativo e sob constante verificação quanto ao retorno dos usuários para possíveis atualizações.
http://www.ppgeb.cap.uerj.br/wp-content/uploads/2019/12/anais-1-coloquio-de-egressos-e-estudantes-do-ppgebcap-uerj.pdf


“LIKE”: O JOGO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NO ENSINO SOBRE BULLYING.

Ms. Katarina Pereira dos Reis Dr. José Antônio Vianna

Durante a pesquisa “Bullying: a percepção dos praticantes”, desenvolvida no ano de 2017, percebemos que entre as motivações para a prática do bullying estão: aceitação dos pares, permeada por práticas violentas, especialmente por parte dos expectadores e a necessidade do desenvolvimento de habilidades e competências para o desenvolvimento positivo da autoimagem. Assim, construímos um jogo, voltado para o 2o segmento do Ensino Fundamental, que pudesse se tornar uma ferramenta pedagógica para o combate e conscientização sobre o bullying e práticas violentas na escola. Nos preocupamos propor situações que os alunos vivenciassem, porém sem respostas carregadas de moralismos. Aliás, o LIKE não tem uma resposta única! No jogo, o coletivo de alunos traz as soluções que considera conveniente e debate a respeito delas, justificando a escolha feita. Ao professor cabe a tarefa de explicar brevemente a respeito do bullying, proporcionar um espaço seguro e atender as demandas afetivas que surgirem durante a dinâmica. Essa ferramenta já foi utilizada em diversas turmas de 6o ano, das redes municipal e estadual de educação e tem atendido as expectativas para o qual foi criado.
http://www.ppgeb.cap.uerj.br/wp-content/uploads/2019/12/anais-1-coloquio-de-egressos-e-estudantes-do-ppgebcap-uerj.pdf


ORIENTAÇÃO ESPACIAL DE ALUNOS DO PRIMEIRO SEGMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL PRATICANTES DE XADREZ

Matheus Ramos da Cruz Dr. José Antônio Vianna


Existem evidências que apontam que a prática do xadrez pode contribuir ativamente para o desenvolvimento de diferentes áreas do ensino como a matemática, a história, geografia, português e artes. No entanto, ainda há uma escassez de informações que apontem as possíveis contribuições para o desempenho motor de crianças. Por ser um jogo/esporte que apresenta em sua estrutura peças com movimentos específicos, frente a um adversário, acredita-se que a sua prática possa contribuir para o desempenho da lateralidade e da orientação espacial, que são importantes componentes para a aprendizagem da leitura e da escrita. Diante disso, o presente projeto de pesquisa tem como intuito verificar a orientação espacial direita esquerda de indivíduos praticantes de xadrez, alunos no primeiro segmento do ensino fundamental. Foram investigados 170 alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro (SME) (85 praticantes de xadrez e 85 não praticantes de xadrez), submetidos ao Piaget Head- Test, cujos dados coletados estão sendo analisados. Após este processo será produzido um E-book com atividades e relatos de experiência no ensino de xadrez, em coautoria com os professores de Ensino de Xadrez na rede municipal de ensino, que irá compor o produto da pesquisa.


EDUCAÇÃO POR MEIO DA MÚSICA: UM PROJETO DE PESQUISA

Pâmella Cristina Dias Xavier Dr. José Antônio Vianna


Nossa pesquisa pretende investigar as contribuições dos Projetos de inclusão social de música (PIS de Música) na formação dos alunos. O crescimento da violência urbana nas últimas décadas tem estimulado a elaboração e implementação de políticas públicas para ocupação do tempo livre de crianças e jovens com atividades artísticas e esportivas. No entanto, o investimento realizado nesta área nem sempre é acompanhado de avaliação do impacto social dos mesmos, especialmente na perspectiva de seus atores. Ao analisar a percepção de professores e ex-alunos de projetos extracurriculares que utilizam a música como meio educacional, procuraremos observar os efeitos das atividades desenvolvidas em PIS de música na formação escolar, acadêmica, profissional e cidadã de ex-alunos e verificar se o meio utilizado, a música, influenciou na escolha profissional dos sujeitos. O estudo de casos múltiplos será realizado em três PIS de música, um situado em uma favela do Rio de Janeiro, outro em uma favela de Niterói e o terceiro em uma escola pública em um bairro popular no município do Rio de Janeiro. Serão investigados alunos com no mínimo três anos de participação em atividades oferecidas pelos espaços. A técnica de coleta de dados será uma entrevista em profundidade que será aplicada pela pesquisadora. Os resultados serão comparados com dados encontrados na literatura para posterior interpretação dos mesmos.


A ADERÊNCIA DE MENINAS A PROJETOS DE INCLUSÃO SOCIAL POR MEIO DO ESPORTE NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Ulhiana Maria Arruda Medeiros Dr. José Antônio Vianna


A pesquisa em andamento tem como objetivo analisar os motivos para permanência e evasão de meninas, crianças e adolescentes, em dois Projetos de Inclusão Social (PIS) por meio do esporte e, também, os possíveis impactos destes projetos na vida pessoal e escolar dos sujeitos. Para isso, está sendo desenvolvido um estudo de caso em dois equipamentos esportivos públicos, ambos contemplados pela mesma política pública de esporte e lazer na cidade do Rio de Janeiro. A partir de uma revisão de literatura envolvendo as temáticas centrais: gênero, esporte e desigualdade de oportunidades sociais e escolares, a pesquisa está sendo realizada com três grupos diferentes de sujeitos, alunas, ex-alunas e professores. Para a coleta das informações foram desenvolvidos quatro instrumentos de coleta de dados, um questionário auto administrado para os professores, um questionário semiestruturado para as alunas e ex- alunas e dois roteiros de entrevista diferentes, para alunas e ex-alunas. A investigação se encontra na fase final de coleta de dados em campo. Os dados coletados com os três grupos serão triangulados com informações levantadas na revisão de literatura. O produto está em fase de construção e será um guia com as estratégias e atividades desenvolvidas ao longo de todo período do mestrado para sensibilizar gestão e professores acerca da temática gênero e esporte.

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