terça-feira, 7 de abril de 2020

BULLYING NA ESCOLA: A percepção dos seus atores

APRESENTAÇÃO

Na literatura corrente o bullying é uma faceta da violência escolar relacionado à intolerância e preconceito (ALBINO; TERÊNCIO, 2012). Pode ser conceituado como comportamento inoportuno, agressivo, intencional e repetitivo, praticado por uma ou mais pessoas contra um par. Manifesta-se de forma física ou verbal e sempre causa humilhação, angústia, dor, discriminação e exclusão. É considerado um comportamento antissocial que estabelece uma subjugação pautada na desigualdade de poder interpessoal (LOPES; SAAVEDRA, 2004; CALBO et al, 2009; BERNARDINI; MAIA, 2010; RISTUM, 2010; ARAÚJO, 2012; ALBINO; TERÊNCIO, 2012; LIMA et al, 2013; VIANNA; SOUZA; REIS, 2015; ALMEIDA et al, 2018).
Atualmente, o bullying é considerado um grave problema social, especialmente sobre os seus efeitos nos indivíduos vitimizados, que vão desde baixo rendimento escolar até distúrbios emocionais e físicos (ARAÚJO, 2012; ENS; EYNG; GISI, 2013; BRINO; LIMA, 2015; SILVA et al, 2016; ALMEIDA et al, 2018). No entanto, é pouco comum a preocupação com a rotulação e estigmatização dos considerados praticantes, o que acreditamos que deve ser mais bem investigado. Da mesma forma, pouca atenção tem sido dada aos professores, gestores, inspetores entre outros agentes participantes na educação escolar.
Os relatórios de pesquisas apresentados neste livro procuraram observar as significações dadas pelos atores escolares para a prática do bullying no meio escolar, procurando relacioná-las com teorias que possam dar explicações alternativas à teorização vigente sobre o fenômeno.
Acreditamos que ao analisar as práticas de bullying sob a ótica dos atores sociais e investigar as relações e tensões sociais no ambiente escolar corresponde a uma “atitude de insubmissão ao que é imposto, ao que inferioriza e marginaliza, ao que deslegitima as escolas e seus praticantes/pensantes” (FERRAÇO; SOARES; ALVES, 2018, p. 102) e permite a criação de outras/novas teorizações elaboradas a partir dos saberes dos atores escolares (CERTAU, 2014). 



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